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A Dimensão Oculta (Edward Hall)

La Dimensión Oculta (fichamento)

(19ªed.) Madrid, Espana: Siglo XXI editores, 1999.

O tema central do livro é o espaço pessoal e social e a percepção que o homem tem dele (p.6).

Cultura como Comunicação (capítulo 1, p. 6-13)

Proxêmica: (termo criado pelo autor) conceito utilizado para designar as observações e teorias inter-relacionadas do emprego que o homem faz do espaço, que é uma elaboração especializada da cultura (p.6). Observações e teorias inter-relacionadas acerca do emprego do espaço pelo homem (p.125).

Segundo Benjamin Lee Whorf, o idioma é mais do que um simples meio de expressar o pensamento, é um elemento principal na formação do pensamento. A percepção que o homem tem do mundo está programada pela língua que fala (p.6-7).

Os sistemas culturais, de países, cidades e grupos sociais, por um lado emprestam significado à nossa vida e por outro geram deformação de sentido na percepção e interpretação do mundo.

Nesse sentido o idioma e o vocabulário do indivíduo são mais do que meios de expressão do pensamento, trata-se na realidade do meio principal da formação do pensamento. A mente humana registra e estrutura a realidade exterior de acordo com a língua e vocabulário que utiliza.

Pessoas de diferentes sistemas culturais não só utilizam diferentes linguagens, mas também habitam diferentes mundos sensórios (p.8).

O homem se distingue dos demais animais pelo fato de ter desenvolvido prolongamentos de seu organismo: cérebro-computador, voz-telefone, pernas-rodas; a linguagem prolonga a experiência do tempo e espaço, e a escrita prolonga a linguagem (p.9). Segundo o antropólogo Weston La Barre, o homem transferiu a evolução de seu corpo aos seus prolongamentos e assim acelerou o processo evolutivo (p.9).

Podemos ver o homem como um organismo que elaborou e especializou seus prolongamentos a tal ponto que estes tomaram o comando e estão substituindo rapidamente a natureza. Ou seja, o homem criou uma nova dimensão, a dimensão cultural, da qual a proxêmica é apenas uma parte (p.10).

A relação entre o homem e a dimensão cultural é tal que tanto o homem quanto seu meio ambiente participam de um modelamento mútuo (p.10).

O homem está agora em condições de criar realmente todo o mundo em que pretende vive, o que os biólogos chamam de biotopo. E ao criar esse mundo, está determinando a classe de organismo que será. Num sentido mais amplo, isso significa que nossas cidades estão criando tipos diferentes de pessoas (p.10).

 

Regulagem da Distância nos Animais (capítulo 2, p.14-33)

A territorialidade é o comportamento através do qual um ser vivo declara característicamente suas pretensões em uma extensão de espaço (p.14). O território tem um papel na determinação de um sistema de comportamento, define o lugar de aprender, julgar, proteger-se, etc (p.15). A territorialidade está relacionada também a hierarquia: o mais forte-dominante tem um território mais amplo e acesso ao território do mais fraco-dominado (p.16).

Correlação entre distância pessoal e hierarquia: os animais dominantes são propensos a ter maiores distâncias pessoais que os que ocupam posições inferiores na hierarquia social, enquanto os animais subordinados cedem espaço aos dominantes (p.22).

Percepção do espaço. Receptores de distância: olhos, ouvidos e nariz (capítulo 4, p.56-68)

Para entender o homem é preciso saber algo sobre a natureza de seus sistemas de recepção e de como a informação recebida se modifica em razão da cultura. Podemos classificar os aparatos sensoriais em duas categorias (p.56):

  1. Receptores de distância, relacionados com o exame dos objetos distantes, ou seja, os olhos, ouvidos e narinas.
  2. Receptores de imediação, empregados para examinar o que está contíguo ou junto a nós, ou seja, relativo ao tato, às sensações na pele, na mucosa e nos músculos.

Os sistemas de tato são os mais antigos na evolução das espécies, os da visão os mais recentes (p.57).

A percepção do espaço não é somente uma questão do que se pode perceber, mas também do que se pode eliminar. As pessoas de diferentes culturas aprendem desde crianças a excluir certo tipo de informação, ao mesmo tempo em que tendem cuidadosamente à informação de outra classe. Uma vez instituídas, essas normas de percepção parecem seguir perfeitamente invariáveis por toda a vida (p.60-61).

Percepção do espaço. Receptores imediatos: a pele e os músculos (capítulo 5, p.68-83)

Cenestesia (Houaiss) designação genérica para as impressões sensoriais internas do organismo, que formam a base das sensações, p.ex., de estar com saúde, de estar relaxado etc., por oposição às impressões do mundo externo percebidas por meio dos órgãos dos sentidos. Cinestesia (Houaiss) sentido da percepção de movimento, peso, resistência e posição do corpo, provocado por estímulos do próprio organismo.

Um espaço fisicamente pequeno pode ser “ampliado” através da ampliação da participação cenestésica [ou cinestésica? A palavra utilizada no livro é cenestésica, mas o não contexto não condiz com a definição]. É o recurso utilizado pelos japoneses em seus jardins (p.68).

Tanto o conceito japonês quanto o europeu de experiência espacial se diferencia do norte-americano. Nos EUA, a idéia corrente do lugar que os empregados de um escritório necessitam se limita ao espaço estritamente necessário para realizar o trabalho. Todo o resto é considerado supérfluo (p.69).

O espaço cenestésico [ou cinestésico?] é fator importante na vida cotidiana, por exemplo, um cômodo que permita maior variedade de movimento livre parece ser maior (p.71).

A temperatura altera a necessidade de espaço. Para preservar a sensação de conforto e privacidade, uma multidão no calor necessita de mais espaço que outra multidão no frio (p.76).

O espaço visual (capítulo VI, p.84-96)

No estudo da visão é preciso diferenciar a imagem da retina – campo visual, do que o homem percebe – mundo visual (Gibson, p.85). O fato do homem diferenciar (sem saber que o faz) as impressões sensoriais que estimulam a retina e o que ele vê indica que os dados sensórios de outras fontes servem para corrigir o campo visual (p.85).

“Os conceitos espaciais são ações interiorizadas” (Piaget, p.87). Há uma ação recíproca entre visão e conhecimento do corpo (cenestesia) (Gibson, p.87).

A antropologia do espaço, modelo organizado (capítulo 9, p.125-159)

Há três tipo de manifestações proxêmicas: 1. infracultural, do comportamento radicada no passado biológico do homem; 2. pré-cultural, é fisiológica e diante de tudo no presente; 3. microcultural, aquela onde se efetivam as observações proxêmicas (p.125). A proxêmica, manifestação da microcultura, tem três aspectos: caracteres fixos, semifísicos e informais (p.125).

O território é em todos os sentidos da palavra um prolongamento do organismo, marcado por sinais visuais, verbais e olfativos. O homem criou prolongamentos materiais da territorialidade, assim como sinalizadores territoriais visíveis e invisíveis. Portanto, sendo a territorialidade relativamente fixa, este tipo de espaço é denominado em relação à proxêmica de espaço de caracteres fixos (p.127).

O espaço de caracteres fixos é um dos modos fundamentais de organizar as atividades dos indivíduos e dos grupos. Compreende tanto manifestações materiais quanto normas ocultas, interiorizadas, que regem o comportamento quando o homem se move sobre a terra (p.128). Exemplo: a malha quadriculada das cidades, os edifícios, a distribuição espacial dos cômodos de uma casa.

Há uma relação entre as características do espaço de caracteres físicos e a personalidade do indivíduo que habita esse espaço (p.129-130).

Alguns aspectos do espaço de caracteres fixos não são visíveis até que se observe o comportamento humano (p.131). As pessoas levam consigo interiorizações do espaço de caracteres fixos aprendidas no princípio de suas vidas [a idéia de cidade de um brasiliense, nascido e criado em Brasília – Plano Piloto, é bem diferente da idéia de cidade de qualquer outro habitante do planeta] (p.131).

Nós configuramos nossos edifícios e eles nos configuram” (Churchill, p.132).

O mobiliário é um exemplo de caractere semifixo do espaço. Alguns layouts tendem a manter as pessoas separadas, outros a uni-las (p.134). Há relação entre a posição em que se senta numa mesa e o estabelecimento de conversações. Posição em esquina e frente a frente são mais favoráveis à conversa do que lado a lado (p.135).

O espaço informal diz respeito às distâncias que mantemos nos encontros com outras pessoas. Há quatro tipos de distâncias: 1. íntima, entre quase zero e 45cm, convivência íntima ou luta, quando obrigada em situações sociais (ex.: elevador lotado), leva a tensão muscular; 2. pessoal, entre 45cm e 120cm, assuntos de interesse e relação pessoais se tratam a essa distância; 3. social, 1,2m a 3,5m, tratamento de assuntos impessoais, formais, de pé e olhando uma pessoa a essa distância obtêm-se um efeito de dominação, acima de 2m pode servir para isolar ou separar as pessoas umas das outras sem uso de objetos físicos; 4. pública, de 3,5m até 9m ou mais, os lingüista observaram que a essa distância se produz uma cuidadosa escolha das palavras e da forma das frases, formal, os detalhes da inflexão da voz e da expressão facial se perdem. As distâncias variam conforme a personalidade e fatores ambientais, por exemplo, um ruído muito forte ou uma iluminação escassa em geral aproximam mais as pessoas (p.143)


1 Response to “A Dimensão Oculta (Edward Hall)”


  1. 1 Heitor Rocha Gomes
    3 de março de 2011 às 4:14 PM

    Gostei do espaço e das solidárias contribuições. Se procurar meu nome no google encontrará meus Blogs e minhas contribuições.
    Abraços


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