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mar
09

Boundary objects presenciais na aprendizagem organizacional

evolutionNuma organização temos, em geral, diversos grupos de indivíduos ligados especialmente por afinidade de função, mas também por valores compartilhados e outros tipos de afinidades.

O que vemos é que ocorre muitas vezes uma certa união e troca de experiências dentro desses grupos, mas entre grupos ou entre indivíduos de diferentes grupos a interação em geral é mais difícil, especialmente se estivermos falando de organizações com grande número de funcionários em unidades localizadas em diferentes cidades.

Como promover a interação entre essas pessoas, de maneira que o conhecimento desenvolvido e adquirido seja compartilhado e enriqueça a aprendizagem organizacional? Como tornar as ricas experiências de determinados grupos a profilaxia de erros e o caminho para a inovação?

Na busca dessas respostas entram em cena os conceitos de comunidades de prática e boundary objects, sendo que aqui abordarei o uso de boundary objects presenciais, vinculados à estrutura física das organizações, e que podem favorecer o florecimento e a proficuidade das comunidades de prática.

Comunidades de prática (CoP) são definidas por por Wenger, Mc Dermoot e Snyder (2002) como: “Um grupo de indivíduos que compartilham uma preocupação, um conjunto de soluções, ou um entusiasmo sobre um assunto, e que aprofundam seus conhecimentos e experiências nesse assunto através de interação contínua”, podendo as CoPs serem influenciadas pelo grau de afinidade e confiança entre seus integrantes, o que interfere na predisposição em compartilhar. “A forma de atuação dos membros é colaborativa e ocorre presencial ou virtualmente.” (Guimarães & Souza, 2008, p.4)

Boundary Objects (objeto limite, objetos fronteiriços) servem de interface entre diferentes comunidades de prática, “são duplamente plásticos o suficiente para adaptar-se a necessidades locais e limitações dos muitos grupos que os empregam, embora robustos o suficiente para manter identidade através dos territórios. Eles são fracamente estruturados no uso comum, e tornam-se fortemente estruturados no uso de um território individual. Eles podem ser abstratos ou concretos. Eles tem diferentes significados em diferentes mundos sociais. Sua estrutura é comum o suficiente para que mais de um mundo os faça reconhecíveis meios de translação. A criação e gerenciamento de objetos fronteiriços é chave no desenvolvimento e manutenção coerentes através da intersecção de mundos sociais.” (Star & Griesemer, 1989, p. 393).

Toda atividade humana se dá num espaço físico e é inevitavelmente influenciada por esse espaço. A precariedade ou inexistência de um local adequado para realização de uma determinada atividade faz com que ela não ocorra ou pelo menos não da maneira esperada.

São raros os casos em que a precariedade do espaço favoreça o despertamento da genialidade. Mané Garrincha é um exemplo desses raros casos, quando em sua infância jogava futebol no alto de um morro e com isso adquiriu um domínio de bola fenomenal (afinal, quem está disposto a buscar a bola que sai de campo morro abaixo?).

Mas na maioria das vezes o que ocorre é o contrário, o local inadequado reduz as possibilidade e potencialidades. Pessoas que trabalham isoladamente (física e virtualmente), por exemplo, não compartilham experiência, não têm oportunidade de calibrar o que pensam e fazem em comunidade.

O espaço restrito não permite pensar e realizar grandes feitos, e uma das razões tem uma lógica matemática: para realizar grandes projetos necessariamente serão necessárias muitas pessoas envolvidas. Muitas pessoas exigem espaço amplo, numa relação diretamente proporcional.

Nas organizações, atualmente ávidas por inovação, vemos que a lógica da relação pessoas-espaço-idéias lhes escapa. Se queremos que as pessoas criem e inovem, é preciso haver locais em que isso seja possível, onde comunidades de prática possam se formar e onde possam interagir entre si. Onde seja possível sair da rotina e criar. (continua…)


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